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Alerta Epidemiológico

Febre do Nilo Ocidental no Brasil: Dr. Kleber Luz Explica Sintomas, Transmissão por Pernilongo Comum e Riscos Neurológicos em Entrevista a GZH

Infectologista do CePCLIN e membro do comitê de arboviroses da SBI analisa a confirmação de casos humanos no país, detalha a evolução para encefalite e reforça as medidas de prevenção contra o mosquito Culex.

07 Set, 2026 Dr. Kleber Luz Fonte: GZH (Zero Hora)
Dr. Kleber Luz e Febre do Nilo Ocidental - Transmissão pelo mosquito Culex
Dr. Kleber Giovanni Luz analisa a dinâmica do vírus da Febre do Nilo Ocidental e os riscos neurológicos. (Foto: Reprodução / Divulgação CePCLIN)

A confirmação de casos humanos de Febre do Nilo Ocidental em estados brasileiros acendeu o alerta epidemiológico em todo o país. Em entrevista ao portal GZH (Zero Hora), o médico infectologista e pesquisador Dr. Kleber Giovanni Luz, integrante do comitê de arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e fundador do CePCLIN, detalhou os aspectos clínicos da enfermidade, o papel do pernilongo comum (Culex) no ciclo de transmissão e os cuidados essenciais para a população.

Causada por um arbovírus pertencente à mesma família dos vírus da dengue, zika e febre amarela (Flaviviridae), a Febre do Nilo Ocidental é tradicionalmente disseminada por aves migratórias e transmitida aos mamíferos — como seres humanos e equinos — através da picada de mosquitos hematófagos.

"A muriçoca ou pernilongo comum está presente em todo o território nacional. Diferentemente de outros vírus restritos a mosquitos silvestres ou exclusivamente ao Aedes, o Culex encontra facilidade de dispersão. No entanto, o comportamento epidemiológico da Febre do Nilo Ocidental não deve atingir a dimensão de uma epidemia de dengue, embora exija vigilância médica constante."
— Dr. Kleber Giovanni Luz, Infectologista do CePCLIN e Membro do Comitê de Arboviroses da SBI

Quadro Clínico e Complicações Neurológicas

Na maior parte das infecções sintomáticas, o quadro se manifesta inicialmente com sintomas inespecíficos, semelhantes a outras síndromes febris agudas:

Febre e Cefaleia

Elevação térmica e dor de cabeça persistente.

Mialgia e Artralgia

Dores musculares difusas e desconforto articular.

O médico alertou, contudo, para a afinidade do vírus com o sistema nervoso central (neurotropismo). Em pacientes mais vulneráveis, sobretudo idosos com mais de 60 anos e indivíduos com comorbidades, a doença pode progredir para formas neuroinvasivas graves:

Meningite e Encefalite

Processo inflamatório severo acometendo as meninges e o parênquima cerebral, capaz de provocar sequelas neurológicas permanentes.

Alterações de Consciência e Sinais Focais

Sonolência excessiva, desorientação têmporo-espacial, rigidez de nuca, fraqueza muscular assimétrica e elevado risco de evolução para coma.

Diagnóstico Laboratorial e Manejo Clínico

Como não há tratamento antiviral específico nem vacina aprovada para humanos, o manejo clínico baseia-se estritamente em terapia de suporte avançada e alívio sintomático, exigindo internação hospitalar nos casos neurológicos.

Métodos Diagnósticos e Conduta

RT-PCR em Fase Aguda

Identificação direta do material genético viral em amostras de sangue colhidas nos primeiros dias de manifestação febril.

Análise do Líquido Cefalorraquidiano (Líquor)

Investigação laboratorial indispensável em pacientes com alterações no sensório, meningismo ou sinais de encefalite.

Prevenção e Controle Vetorial

O especialista reforçou que a principal estratégia de proteção coletiva e individual consiste na erradicação de criadouros de mosquitos e no uso sistemático de repelentes registrados pelos órgãos competentes de vigilância sanitária.

Eliminação de Águas Paradas Diferente do Aedes, o Culex pode se reproduzir em águas ricas em matéria orgânica, exigindo atenção contínua a valas, calhas e reservatórios domésticos.
Proteção Mecânica e Repelentes Instalação de telas milimétricas em portas e janelas, uso de roupas de manga comprida em horários de pico e aplicação de repelentes homologados (DEET, Icaridina ou IR3535).

Vigilância Epidemiológica: Profissionais de saúde devem manter alto índice de suspeição clínica diante de casos de encefalite ou meningite com teste negativo para os patógenos usuais, notificando imediatamente às autoridades sanitárias.

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